Leste assistente virtual e ainda te veio à cabeça a Siri ou a Alexa..? Pois bem, é normal. Mas não é disso que se trata, nem é disso que te vou falar aqui.
Vou falar de uma profissão real, prática, de suporte operacional. Não é glamourosa. É o trabalho que precisa de ser feito para um negócio funcionar, e que, quando é feito, liberta tempo e energia mental preciosos para quem gere esse negócio.
Mas primeiro, porque escolhi eu este caminho?
Durante os últimos anos, trabalhei num ambiente que de certa forma me consumia. Não era o trabalho em si. Eram várias coisas à volta dele. O conflito interno constante entre os meus valores e o que regia o dia a dia levava-me à exaustão. Ainda que tivesse de fazer que estava tudo bem.
Estar sempre à defesa não era uma sensação. Era real, era necessidade.
Os anos foram passando e o peso tornou-se maior. Costumo pensar e acreditar que quanto mais despertamos, menos nos encaixamos. E aqui não foi diferente. As ações contam mais que as palavras. E contam também outra história.
Com o passar do tempo, a saúde ressentiu-se. Sabia quem era, sabia os valores que defendia. Mas não os podia viver ali. Tinha de ser, por vezes, conivente com coisas com que não me identificava. Tinha de tentar estar bem dentro de uma realidade que já me estava a esgotar.
A pandemia intensificou tudo. Foi como se tivesse amplificado o que antes tentava relativizar. E ao não conseguir tolerar mais o que não sentia alinhado comigo, foi tempo de colocar um ponto final. Não por desespero, mas por escolha consciente.
Quando saí, dei-me tempo. Meses, na verdade. Não fui procurar o próximo emprego. Antes de sair já tinha tomado essa decisão. Precisava de fechar o ciclo, de descomprimir, de voltar a sentir-me eu e principalmente livre.
Foi libertador. Completamente libertador. Mas também assustador, porque quando sais de um ambiente algo tóxico, mesmo quando escolhes sair, as marcas ficam. O julgamento. O medo de errar. A dúvida constante.
Foi nesse período que comecei a explorar a assistência virtual. Primeiro só para mim, a organizar os meus próprios sistemas. Depois ajudei alguém de forma voluntária, porque me identifiquei genuinamente com a pessoa e com a área em que trabalhava. Ganhei experiência, confiança e amizade também. E então apareceu o primeiro cliente pago.
O que faço concretamente
O meu trabalho passa por gestão de emails, redes sociais (implementação e agendamento), emissão de faturas, reconciliação bancária, organização e nutrição de sistemas e processos, newsletters. Nada revolucionário, mas essencial. E quando é feito sem sobrecarga, liberta espaço para o que é genuinamente importante.
Há uma diferença enorme entre contratar um funcionário presencial e trabalhar com uma assistente virtual. E não estou a falar só de custos, embora esses também existam e sejam reais. A diferença mais importante é outra: flexibilidade. Trabalho por projeto ou por pacotes de horas, sem contratos longos obrigatórios, sem necessidade de preencher 40 horas semanais se não há trabalho para isso. Para quem precisa de apoio num pico de trabalho, para quem quer regularidade mas em poucas horas por semana, para quem quer testar antes de se comprometer, funciona.
Para quem faz sentido
Faz sentido principalmente para quem está sobrecarregado com tarefas operacionais que impedem o foco no que é essencial. Para quem quer uma parceria real, não alguém que executa ordens, mas alguém que trabalha com, não apenas para. Para quem entende que trabalho assíncrono não significa menos comprometimento.
Um ano depois
Há coisas que sei com mais clareza. Que os sistemas não precisam de ser impecáveis, precisam de ser funcionais. Que as melhores parcerias são leves, quando há confiança, respeito e comunicação honesta, o trabalho flui. Que a experiência anterior importa, mesmo quando o caminho mudou completamente. E que ainda há medo, sim, de não ser suficiente, de falhar, de me mostrar. Mas há também uma certeza crescente de que este é o caminho certo.
A profissão do presente
Dizem que é a profissão do futuro. Para mim já é do presente e talvez para ti também.
É a forma que encontrei de trabalhar de acordo com os meus valores. De ter liberdade de escolher com quem trabalho, como trabalho, quando trabalho. De ser genuína profissionalmente, de não ter de fazer que está tudo bem, de poder seguir o que penso.
E isso, para mim, já é futuro suficiente.
Se isto te fez sentido, talvez faça sentido conversarmos.
Imagem por Pavel Danilyuk

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