Muitas vezes fazemos tudo sozinhos… Não é? Pois… mas não o fazemos porque ninguém nos consegue ajudar, e sim porque a forma como o outro faz é diferente da nossa. E por ser diferente, sem nos apercebermos, começamos a interpretar como errado.
Aprendemos a ser independentes desde cedo. A querer as coisas à nossa maneira. E há o lado de bom nisso, ter um método, ter clareza sobre como fazemos as coisas, por vezes parece até um pouco de identidade.
Só que às vezes isso vira-se contra nós.
Um exemplo do quotidiano
Deixo-te um pequeno exemplo, que pode existir na dinâmica de casal, pais e filhos, ou qualquer relação próxima. Algo simples como estender a roupa. Pois é, estender a roupa pode ter muito que se lhe diga. 😅
Numa casa, uma pessoa estende com uma ordem, por tamanho, por tipo, por cores. A outra estende sem ordem nenhuma. A roupa de ambas seca. No fundo é esse o propósito de a estender, e o resultado é exatamente o mesmo.
Mas uma não consegue ver a da outra assim. E ou fica frustrada, ou vai lá refazer, ou ambas as coisas. 👀
Isto não é uma crítica, é um facto e é só humano. Porque todos temos formas próprias de fazer as coisas e quando alguém faz diferente, há uma resistência em nós.
No trabalho, o custo é diferente
O problema é quando essa resistência nos custa mais do que o que nos poupa. Quando acabamos a fazer tudo sozinhos, ficamos demasiado ocupados, só que não necessariamente no que só nós conseguimos fazer. Ficamos demasiado ocupados por escolha nossa, indiretamente.
Há uma diferença entre sermos bons no que fazemos e precisarmos de fazer tudo. Mas quando estamos no meio disto, é difícil ver onde termina uma coisa e começa a outra.
O que está por baixo
Não acho que seja preguiça de confiar. Nem má vontade. É a ideia de que o nosso caminho para chegar ao resultado é parte do resultado. Que se for feito de outra forma, algo se perde. Mesmo que não consigamos dizer exactamente o quê.
E talvez às vezes se perca mesmo. Há coisas que têm a nossa marca e que outra pessoa não consegue replicar. É real isto.
Mas há muitas outras que não. Que são só tarefas. Que chegam ao mesmo sítio por caminhos diferentes. E aí, a resistência já não é cuidado com a qualidade, é só um hábito. Ou medo. Ou as duas coisas.
O que fica por fazer
Quando estamos a fazer tudo, há sempre algo que fica por fazer. Não por falta de esforço, mas sim por falta de espaço.
O espaço para pensar em vez de só executar. Para observar o que construímos de fora em vez de estar sempre do lado de dentro. Para fazer o que genuinamente só nós conseguimos fazer, e que fica sempre para depois porque o resto não pára.
Não estou a dizer que delegar é simples. Ou que confiar é fácil porque erros existem. Não é.
Mas deixo-te a questão: o que estaria a acontecer de diferente se não estivesses a fazer tudo sozinha(o)?
Não como pressão, e sim como curiosidade honesta. 🌿
Imagem por Ramon Karolan

Deixe um comentário